Benvenuto

Bem vindos ao humilde palácio literário desta humilde autora, que pode não ser imortal, mas tem a mania de renascer das cinzas de vez em quando. Fique a vontade para entrar em qualquer cômodo ou em qualquer texto, por favor só não alimente os monstros dos armários.
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sábado, 17 de março de 2012

The Time Travellers Tale

Longo e tenebroso inverno é pouco dessa vez o.o
Me sinto como o Martin em "De Volta Para o Futuro" voltando para esse bloguinho depois dessa eternidade afastada (por vários motivos: escola, estudo, vestibular, o Castelinho de Palavras, problemas pessoais... Etc)
Tem quase 2 anos que não ponho os pés (metaforicamente falando) aqui.
E fico mais do que feliz em ver que enquanto eu estava em outro castelo (que está se desmanchando eu acho), deixaram alguns recadinhos pra mim.

Merci! Merci! Merci!
Merci mons amis!


Agradecimentos aos comentários de Boderline(desculpa a distância o.o minha vida tava bem virada ano passado) e de El Papagaio(pode chamar de Zoe sim, e espero que você veja esse novo post, mesmo não sendo uma poesia) em especial (foram os dois comentários de 2011). 

A partir de agora, promessa de ano novo (que eu só começo a cumprir em março, pra você ver como eu sou firme em minhas resoluções (ironia)), vou tentar postar alguma coisa toda semana. Não garanto que serão contos sempre (tô sem meu pc e digitando via iPod na net do shopping, um verdadeiro inferno se quer saber), mas nem que seja um poema velho eu postarey!!! \O/

Outras promessas pra este bloguito são a mudança de layout (cansei daquele marasmo de praia que estava antes) e a colocação de um contador (pra ver se tem algum tráfego aqui afinal de contas)

E que maneira melhor de reinalgurar esta bagaça do que com quem eu inaugurei da última vez? XD oficialmente, eu comecei com um conto da Jane e do Julien, então vou fazer isso de novo xD e não é qualquer conto. Continuando com minha metáfora de viajem no tempo, nada melhor do que os por como dois viajantes no tempo xD os dois ainda são os mesmos, mas Julien não é mais um vamp, nem Jane é uma feiticeira. Eles são cientista! E o resto não conto pra não estragar a surpresa xD

Segundo minha melhor amiga, esse meu conto está muito adolecentezinho e eu, infelizmente, assino em baixo. Em minha defesa, digo primeiro que nem todo mundo pode ser Machado de Assis, apesar de eu me esforçar, e dizer que esse é só um aperitivo. Jane e Jul sabem se comportar como adultos (eu acho).
Espero que gostem mesmo assim =) tem algumas referências à serie britânica "Doctor Who", que eu fiquei viciada essas férias, mas eu vou por as devidas explicações ao final do conto.

Sem mais delongas, subam a bordo do meu carro do tempo, meu DeLorean(De volta para o futuro amigos) ou dentro da minha TARDIS (A nave do Doc Who xD) e VAMOS NESSA!!! \O/
(ah, e só me perdoem os palavrões o.o foi força de expressão)


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The Time Travellers Tale

 

O galo cantou às cinco da manhã como tinha de ser e tudo começou no colégio St. Aidan de Lisdisfarne como tinha de ser. Os alunos ainda dormiam, como tinha de ser, mas os funcionários já estavam levantando para arrumar tudo para os discentes e docente, como tinha de ser.

Uma merda na minha opinião.

Mas, é claro, quem vai querer a opinião de uma reles empregada em 1892?

É uma porra ser uma empregada em 1892.

Aliás, é uma porra ser uma empregada em qualquer época.

Mas mesmo assim, assim que aquele galo maldito cantou, eu dei um pulo da cama. Precisava ser rápida.

Me lavei e me arrumei em menos de 10 minutos, muito mais rápida que as outras funcionárias, que o faziam em 15. Então corri para recolher o leite do leiteiro, os jornais com o jornaleiro e as verduras com o verdureiro, além de alguns doces especiais na padaria na vila a meia milha da escola. Nem me perguntem como eu conseguia carregar tudo aquilo ao mesmo tempo, nem eu sei.

Me atrasei um pouco por causa do jornaleiro, aquele moleque filho da puta, e quase comecei a praguejar MUITO por causa disso (não sou conhecida por ser exatamente uma dama, como já devem ter notado), mas segurei a língua. Qualquer erro, qualquer falha na conduta me faria perder o emprego, e eu NÃO PODIA perder aquele emprego.

Corri o caminho de volta para recuperar o tempo perdido. Não podia ficar desperdiçando tempo.

Tempo, tempo, tempo! Eu o odeio!

Enfim, corri para a cozinha com os itens da vila, entreguei o leite e as verduras para a cozinheira, senhora Watts, os jornais para o mordomo, senhor Taylor, e fui preparar o chá. Eu realmente não entendo essa nossa tara de britânicos com o chá. Quer dizer, tá, eu tecnicamente nasci na Inglaterra, mas depois de ter de fazer chá para um batalhão inteiro nesse colégio eu começo a questionar essa nossa mania estranha. ENFIM! Eu fiz no ponto certo e o tipo certo para cada professor e para todos os alunos e pus nos bules corretos. Já mencionei que errar não está permitido se eu quiser ficar aqui? Depois peguei uma bandeja com 2 bules, 8 xícaras azuis e café da manhã como de costume e levei aos quartos 317 e 319, os quartos a que fui designada esta semana. 

Assim que entrei no quarto 317, o pior da escola se quer saber, ouvi os garotos, entre 14 e 16 anos, daquele quarto trocarem um risinho.

- Está atrasada serviçal! – Thomas Sullivan, um loiro até que bonito, mas completamente imbecil e escroto, falou, mesmo com eu tendo chegado até mesmo mais cedo.

Sabe, o pior desse emprego não é eu ter de fazer tarefas domésticas dos outros nem nada.

É ter de aturar merdinhas como Tommy Sully se achando superiores só porque eu trabalho aqui e ainda ter de pedir desculpas por isso.

Engoli três respostas grosseiras, quatro palavrões e 2 bofetadas que eu queria dar para ele e pus o bule e as xícaras sobre a cômoda com mais força que o necessário. 

- Perdão, senhor. Tentarei chegar mais cedo amanhã.

Ele e os outros riram.

- Mas, serviçal, eu quero uma compensação agora. – ele sorriu sacana, se levantando da cama e mostrando que estava com os documentos para fora.

E antes que você pergunte, não, eu não faço esse tipo de coisa. Eu posso aturar MUITA COISA por causa desse emprego maldito, mas ISSO NÃO.

Ergui uma sobrancelha. Aquilo eu não podia deixar de responder.

- Eu não faço esse tipo de coisa. Peça para sua irmã na próxima visita dela. – os outros três rapazes ficaram pálidos e boquiabertos. Tommy ficou lívido.

- Com quem você acha que está falando, serviçal!? ME OBEDEÇA!

Revirei os olhos.

- Me dirijo a um aluno, senhor. E receio que vou ter de desacatar sua ordem, a não ser que prefira que eu reporte seu desejo libidinoso ao diretor. – eu sorri triunfante enquanto ele se calava de raiva, orgulhosa por eu conseguir usar tantas palavras elegantes para me vingar daquele fedelho tarado. Se tinha uma coisa que Sully temia era a ira do diretor, que não tolerava qualquer tipo de comportamento sexual por qualquer aluno dentro do colégio ou na vila (pessoalmente, eu acho que o diretor era gay e queria que todo mundo ficasse tão frustrado sexualmente quanto ele, mas enfim, ninguém quer a opinião de uma empregada em 1892) – Agora, com sua licença senhor.

E saí do quarto 317 para o 319 com a bandeja e um sorriso satisfeito.

Assim que entrei, tive reações bem diferentes. Dois garotos me sorriram polidamente, deram bom dia e continuaram seus afazeres; um me encarou com cara de sono; e o quarto (um garoto fofo chamado Alex de 12 anos) corou até a raiz do cabelo castanho (acho que ele tem uma quedinha por mim. Coitado).

Saí desse quarto apressada. O grande relógio acabara de badalar 7 horas, o que significava que eu só tinha 15 minutos para minha tarefa final, recolher parte da roupa suja e levar para a lavanderia que ficava há uns 20 metros da casa.

Tempo de sobra, mas estava apressada mesmo assim. Tempo não desperdiçar eu podia, como diria mestre Yoda.

Fiz tudo em menos de 10 minutos, o que queria dizer que às 7:15 da manhã eu já estava na cozinha esquentando a água para o café do ÚNICO professor que bebia café em todo colégio (e se duvidar, a única pessoa que o fazia em toda Grã-Bretanha em 1892).

A governanta, a autoridade máxima de todas as funcionárias, parou de pegar no pé das outras empregadas e me encarou com cara feia.

- SENHORITA RAVEN! – ela falava (ou melhor, rugia) comigo – Que diabos você está fazendo?!

Rangi os dentes. Ela era outra pessoa que eu não podia retrucar, por mais que quisesse. Ela tinha o poder de me demitir instantaneamente. Eu seria ejetada desse colégio infernal mais rápido se respondesse a ela do que se espancasse Tom Sully com um bastão de basebal.

Respirei fundo.

- Café para o professor LeBeau, senhora.

- Já terminou suas outras tarefas senhoritinha?

Eu ODEIO quando ela me chama de senhoritinha. Vaca velha e escrota.

- Sim senhora. Peguei o leite, as verduras e os jornais, entreguei os dois primeiros para a senhora Watts, o segundo para o senhor Taylor, fiz o chá, levei as bandejas com o desjejum para os quartos 317 e 319, peguei as roupas dos quartos do terceiro andar e levei para a lavanderia. – quase sorri quando ela franziu a testa, desgostosa por eu ter feito tudo (a governanta, senhorita Smith falando nisso, era uma dessas vadias que só ficam satisfeitas quando alguém comete um erro, só para ela poder punir a pessoa).

- Muito bem. – ela se virou, muito irritada por não poder ralhar comigo por ter esquecido alguma coisa – Você tem o privilégio hoje de servir o professor LeBeau o desjejum, mas APENAS o desjejum.

Senhorita Smith me lançou um olhar penetrante, porém muito claro: “Encoste no professor mais que o necessário por qualquer motivo e eu terei o prazer de te ver pelas costas por conduta sexual inapropriada”.

Eu nem corei diante daquele olhar por dois motivos.

Primeiro porque aquilo acontecia TODO SANTO DIA, então já estava mais do que acostumada àquela virgem mal comida me olhando feio por eu ser mais bonita, mais sexy, mais elegante e mais ousada que ela. (Não estou me achando. É que ela é tão feia, mas TÃO feia, que nem se ela pagasse iria conseguir sexo. Sério. Até um pedaço de madeira é mais bonito, sexy, elegante e ousado que ela).

Segundo porque ele não se lembrava de mim.

Eu assenti.

- Sim senhora.

Com um último olhar venenoso ela se virou e foi procurar outra vítima para sofrer do mau humor crônico dela.

Confesso que eu trapaceava nesse momento e usava um termômetro para conseguir a temperatura ideal do café (66°C coisa que não se tinha o MENOR conhecimento à época, mas eu me perdoava o anacronismo) e pegava os doces que comprara hoje mais cedo. Colocava tudo bem arrumado na melhor bandeja da casa.

Se Julien REALMENTE me visse agora, ele iria achar graça. Talvez até risse de mim, porque normalmente eu jamais iria levar o café da manhã para ele assim com tanto esmero.

As coisas mudaram tanto que, por mais clichê que possa parecer, me dói no fundo da alma.

Grace, uma das camareiras, moça muito simpática e gentil, chegara da lavanderia com a roupa limpa e sorriu para mim.

- Já levando o café para o professor LeBeau, Anna Marie? – ela me perguntou.

Eu sorri.

- Alguém tem de acordá-lo, não é?

Ela devolveu o sorriso enquanto separava as roupas.

- Quem diria que uma garota provinciana como você, Anna Marie Raven, fosse se interessar por um sapinho acadêmico feito o professor Remy LeBeau.

De todos os momentos do dia, aquele foi o mais difícil de controlar toda minha frustração e tristeza.

Porque meu nome não é Anna Marie Raven.

Meu nome é Jane Eleanor Borgie e eu nasci em 2001.

Você leu certo, 2001.

Nasci em 2001 em 17 de maio em Londres, Inglaterra como Jane Eleanor Potter, morei na Grã-Bretanha boa parte da vida e me casei com Julien Borgie em 03 de julho de 2023.

Tenho 26 anos agora, sendo que os dois últimos foram passados dentro de uma máquina Espaço-Temporal. Eu e Julien, de brincadeira, batizamos a nave de TARDIS apesar dela não ser uma caixa azul da polícia nem permitir que possamos ir a outros planetas ou nos faça entender outras línguas. Temos... ou, melhor dizendo, tínhamos que nos virar com nosso inglês (minha língua mãe), francês (a língua original de Julien), latim(Julien estudo em um colégio católico que ensinava latim), alemão (que eu falava porque passei uma temporada na Áustria e Alemanha), espanhol (que Julien apenas arranhava MUITO de leve) e mandarim (que eu ainda estava aprendendo aos trancos e barrancos). Parece muito, mas considerando a diversidade lingüística e as variantes históricas, não é nada. Tanto é que apanhamos um bocado para conseguir nos comunicar o suficiente para ir assistir o Romeu e Julieta original em 1595 mesmo que ambos falássemos inglês contemporâneo perfeitamente.

Não sou Anna Marie Raven e eu ODEIO Remy LeBeau.

Mas me controlei.

Me controlei e sorri de volta para Grace.

- Surpresa, surpresa. – disse imitando um tom maroto, apesar de me sentir uma droga.

Grace riu e eu saí com a bandeja antes que ela pudesse falar qualquer outra coisa que me fizesse desabar chorando ali no meio da cozinha.

Os professores ficam alojados no quarto e último andar, e o professor Remy LeBeau residia no quarto 420, que tinha uma vista magnífica para os campos ao redor da escola.

Bati com força na porta.

Como todo santo dia, ninguém respondeu e eu fui entrando.

- Bom dia professor LeBeau. - falei em voz alta colocando a bandeja sobre a cômoda.

Era um quarto simples, um quarto de acadêmico. As 4 paredes tinham estantes cheias de livros e havia uma escrivaninha abarrotada de papeis diante da janela. Havia roupas sujas por todo cômodo misturada com folhas de papel meio amareladas, penas e canetas-tinteiro, além de outros itens, como pedaços de ossos de animais e amostras de plantas secas. Na parede oposta a porta ficava a cama; e na oposta a escrivaninha, uma lareira. O banheiro era à parte, no corredor, instalado muito posteriormente a construção do prédio.

Odiava aquele quarto por ser EXATAMENTE o tipo de quarto que Julien odiaria.

Professor LeBeau apenas grunhiu e se virou na cama.

Revirei os olhos e caminhei até a janela e abri as cortinas de uma só vez.

- MON DIEU, FEMME! – ele praticamente gritou de um jeito nada digno e se sentou – Você definitivement é cria de Le diable! – LeBeau resmungou coçando a cabeça, misturando inglês e francês por causa do sono.

Não me incomodei e peguei e entreguei o robe para ele por sobre o pijama. Francamente, não tem NADA de erótico naquele pijama, mas naquela época era um escândalo que eu o visse daquele jeito.

- Bom dia professor LeBeau. – repeti – Está um dia lindo lá fora e já são sete e meia, senhor.

Ele assentiu e pôs o robe, se levantou e caminhou até a janela.

- Ensolarado... – balançou a cabeça – Um dia horrível.

Eu estava colocando café na xícara e quase derramei ao ouvir isso.

Julien amava dias de sol.

LeBeau continuou.

- Sabe, eu sonhei com você essa noite.

Servi a xícara, que ele pegou e começou a beber sentado na cama.

- É mesmo senhor?

- Sim, com você.

- Sobre o que senhor? – perguntei desinteressada enquanto arrumava o quarto.

- Sonhei que éramos um casal de viajantes que podia se mover no tempo e no espaço.

Não pude me segurar.

Deixei cair tudo que estava segurando (um monte de livros do chão) e me voltei para encará-lo.

Diferente do meu Julien, que teria notado meu vacilo na hora, LeBeau continuou bebendo seu café distraidamente. Parou de repente olhando pela janela, e então riu.

- Mas que coisa absurda! Sonhos são realmente Absurdos!

Balancei a cabeça para me segurar e não tentar esganá-lo ali naquele momento e voltei a juntar os livros.

- É um belo sonho senhor, apesar de pouco decente. Onde já se viu? A camareira e o professor? – disse baixinho, apenas para não ficar calada muito tempo.

Não era sonho, idiota, muito menos indecente.

Essa era a nossa realidade até três meses atrás.

LeBeau suspirou.

- Belo, mas apenas um sonho, Anna Marie.

Pus todos os livros que consegui juntar em uma estante qualquer.

- É claro professor LeBeau.

- Anna... – não havia percebido, mas ele se aproximara de mim pelas costas. Não estava perto demais para ser incômodo, mas estava perto o suficiente para deixar claro a vontade dele de me tocar – Quantas vezes vou ter de te pedir para me chamar de Remy quando estivermos sós?

E ele tocou de leve nas costas da minha mão.

Não pude suportar e estapeei a palma dele.

- Professor! O que o diretor pensaria dessa sua atitude?! Aliás, o que você diz disso!? Ou me diz que já esqueceu da sua querida Belladonna?

É golpe baixo falar para um viúvo que está te cantando sobre a esposa morta, mas desde quando eu sou moça de jogar limpo?

A jogada deu certo momentaneamente. LeBeau recuou levemente, como se estivesse surpreso com as próprias ações. Porém logo voltou ao ponto onde estava, me olhando suplicantemente e fixamente.

- Belladonna está morta agora, Anna Marie! E tenho certeza que ela iria querer que eu fosse feliz! E eu só vou ser com você Anna!

Eu me afastei.

A beira das lágrimas.

Sério.

Eu ODEIO esse cara.

ODEIO! ODEIO! ODEIO!

Mas eu segurei de novo.

Na frente dele não.

O encarei. Todo meu ódio devia estar bem evidente no meu olhar porque ele recuou.

- Mas eu JAMAIS serei feliz ao seu lado, Remy LeBeau.

Meu Julien teria ficado irritado, insistido, contestado, brigado, e no fim teria me beijado, mesmo que fosse para tomar um tapa na cara. “Pelo menos roubei um beijo seu, ma belle” ele diria, e com isso faria que eu tivesse uma leve taquicardia. 

Mas aquele não era meu Julien.

LeBeau se afastou surpreso.

Me afastei e caminhei com passos fortes até a porta.

Porém não fui rápida o suficiente.

- Não vou desistir de você. – LeBeau disse confiante.

Virei a cabeça para encará-lo com tristeza.

- Qual o meu nome do meio?

Eu sempre fazia aquela pergunta quando ele começava com aquele papo meloso que eu odiava vindo dele.

Ele sempre errava.

LeBeau pensou e suspirou.

- Não é Marie, você já disse. Mas o que isso importa!?

Balancei a cabeça.

- Tudo.

E saí, a beira das lágrimas.

Não liguei para nada, nem para minhas tarefas de agora (felizmente poderia recuperar esse tempo perdido depois), nem para os alunos e funcionários que me viram correndo.

Corri até o porão, um lugar grande e cheio de tranqueiras que ninguém visita.

O lugar perfeito para esconder uma nave viajante do tempo um pouco maior que uma van (aquele porão é bem maior, acredite).

Fui até lá e entrei dentro da nave.

Me sentei com as costas na porta metálica e me deixei desabar.

Aquela situação doía demais.

Doía porque, por mais que eu não gostasse de Remy LeBeau, que eu odiasse, isso não mudava a verdade.

A verdade que Remy LeBeau e meu marido, Julien Borgie, são a mesma pessoa.

Dois anos atrás, eu e Julien começamos a viajar pelo tempo e espaço como bem queríamos. Ele cuidava dos nossos movimentos pelo tempo, eu cuidava dos nossos movimentos pelos espaço.

Dois anos atrás foi quando os agentes do tempo começaram a nos caçar.

Eles nunca dizem de quando são ou porque nos caçam. Nós nunca interferíamos em nenhum evento histórico! Nunca mudávamos nada no tempo! Gostávamos apenas de assistir ao mundo em seus momentos interessantes. Mas mesmo sem fazer nada, os agentes nos caçavam, querendo ou nos matar ou nos levar prisioneiros. Só pode ser por alguma coisa que ainda iríamos fazer, mas isso é ridículo! Como eles podem achar que é certo punir alguém antes mesmo dessa pessoa fazer algo errado?!

Quatro meses atrás, eu e Julien tínhamos acabado de voltar de Roma. Tínhamos ido ver uma luta no Coliseu original, aquele em Roma, no dia da inauguração nos melhores lugares da casa. Era um espetáculo bárbaro, mas, acredite, cativante. Íamos em direção à última batalha de Napoleão em WaterLoo, quando eles nos encontraram.

Julien pilotou habilmente por entre as linhas do tempo, tentando despistar nossos perseguidores. Porém eu não sei como, mas um deles se teletransportou para dentro da nossa nave e nos atacou.

Começamos a cair na linha do tempo.

Julien, em um último esforço para tentar me salvar, pulou fora da nave com o agente.

Se não se pula para fora de um carro quando esse está em movimento, a lógica é a mesma para naves espaço-temporais.

Caímos em janeiro de 1892 separados.

Me custou um mês inteiro para encontrar Julien de novo, e quando eu consigo, ele já não é mais o mesmo.

Agora ele é esse maldito Remy LeBeau.

Tenho certeza de que é ele porque ele ainda carrega a chave da nave como pingente de uma corrente. Tem a forma parecida com um floco de neve com engrenagens. É inconfundível.

Fora a própria aparência, voz, cheiro...

Ele é meu Julien.

Ele não é um professorzinho do século 19 e nunca foi casado com nenhuma francesa Belladonna, aliás, nenhum deles jamais existiu! Ele é um cientista brilhante do século 21 e ainda é casado comigo, Jane, a rosbiff como ele me chamava.

Eu não sabia como fazer para ele se lembrar, porque ele não lembra de porra nenhuma.

E o pior é que não posso me afastar demais porque os agentes do tempo podem aparecer. Nem posso voltar para meu tempo para pesquisar algo para ajudar. Eu só sei mover espacialmente assim como Julien só pode se mover temporalmente. Estou presa aqui com o amor da minha vida que nem lembra de mim.

De que adianta que ele tenha se apaixonado de novo comigo? Aquele Remy LeBeau não tem NADA haver com o meu Julien Borgie. Por mais irônico que nossos nomes falsos sejam (são namorados em uma série em quadrinhos qualquer), ele não é o meu Julien.

E isso me parte o coração.

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Admito, esse final ficou uma droga o.o
E mais uma vez peço desculpas pelos palavrões o.o força de expressão.
AS EXPLICAÇÕES!!!
A caixa azul da polícia é como a máquina do tempo do Doctor Who se parece =D o nome da máquina é TARDIS (é uma sigla que eu não lembro o que significa de cabeça) digitando 'tardis' no Google imagens mostra direto =) eu colocaria aqui mãs iPod é uma droga. A TARDIS é capaz de voar no espaço, viajar no tempo e espaço e de traduzir todo e qualquer idioma diretamente na cabeça das pessoas além de ter BEM MAIS ESPAÇO no interior xD
Os personagens em quadrinhos a que Jane se referem são do Xmen original (e por original eu excluo os filmes viajantes da série). São o Gambit e a Vampira. Minha idéia não era uma metáfora de que um não pode tocar no outro, como é nos quadrinhos, é só porque até hoje eu adoro o Gambit xD ele é meu favorito desde os 6/7 anos e foi minha primeira referência a língua francesa. Eu TINHA e incluí-lo em alguma obra minha (e provavelmente ainda vou incluir outras vezes).
Esse é só um conto aperitivo, mas não sei se vou ter tempo e inspiração para continuar. Cruzem os dedos xD
Eu realmente tenho de ir agora xD
Boa noite a qualquer eventual leitor e até fim de semana que vem =)
Au revoir!

sábado, 31 de julho de 2010

Depois de um longo e tenebroso inverno....

BOMMMMM...
Mais dia, menos dia eu teria que tirar a poeira dessa joça e_e
Não tenho absolutamente nada pra contar de fevereiro até aqui.
Quer dizer, ter eu até tenho: subi e desci de posição no meu colégio, fiz amizade com o pessoal da minha pensão (o que pra uma pessoa tímida como eu é um MILAGRE), me apaixonei perdidamente por um viado cafajeste e me arrebentei por isso (mas aprendi uma lição. Uma não, duas: cuidado com o que vc deseja e nem sempre conseguir o que vc quer é algo bom), estou em processo de "I Will Survive" desde final de Maio, comprei briga com meus pais algumas vezes, ganhei um PS3 e não escrevi nada muito útil ._.
Mas resolvi voltar a tentar atualizar com alguma freqüência esse blog a partir de agora ._. nem que seja com uma historinha tosca de Jane e Julien (ainda mais pq estou inaugurando um blog novo com minha miga Luli)
Falando neles....
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Seus pés flutuavam alguns centímetros do chão. Ela estava amarrada e pendurada em um gancho pelos pulsos.
Malditos lobos!
Nunca jogavam limpo, aqueles lobisomens...
Jane riu de si mesma.
Uma bruxa imortal e poderosa, mas que fora capturada ao proteger um vampiro convencido, arrogante, pedante, cheio de si, egocêntrico, pervertido, e o pior de tudo: Francês!
O Amor realmente faz coisas faz coisas bizarras com a cabeça dos seres humanos.
Agora lá estava a britânica: amarrada sobre um círculo anti-mágica, sedada e só com as roupas de baixo e cercada de lobos.
Noite perfeita.
Ela revirou os olhos, grogue.
"Bom, poderia ser pior," pensou "Julien poderia ter me convencido a mais um de seus fetiches e agora eu estaria nua ou pior.".
Perguntou-se o que havia acontecido com o seu vestido azul de cetin e corte vitoriano. Provavelmente rasgado por aqueles bárbaros.
Não que todo lobisomem fosse bárbaro. Jane conhecia alguns muito charmosos e encantadores.
Coisa que aqueles não eram.
Se perguntou o que haviam acontecido com os cavalheiros daquele século XIX.
Enquanto ela debatia a questão para distrair sua mente anuviada pelo calmante de sua situação dependurada, os lobos abriram a roda para deixar passar seu líder.
Jane encarou o recém chegado que era iluminado pela luz da lua que se infiltrava por meio de um buraco no teto do galpão abandonado onde eles se encontravam.
Chegou como um lobisomen de pêlo cinzento com uma grande cicatriz em forma de três garras cortando seu rosto da direita para a esquerda na diagonal, deformando palpebra direita, focinho e parte dos beiços. Usava apenas calças rasgadas, sobreviventes de sua transformação naquela noite de lua cheia.
Ela olhou-o nos olhos amarelos injetadosde sangue. Olhou a fera nos olhos. O lobo grunhiu e fez seu show: uivou para a diva pálida da noite que pairava no céu estrelado, exibiu garras e dentes afiados, rosnou e fez sons aterrorizantes, e por fim chegou a centímetros dela, ameaçador.
Jane riu.
Talvez fosse o sedativo, talvez fosse pura loucura e estupidez. Mas ela não teve um pingo sequer de medo.
- É só isso que sabe fazer? - perguntou em um francês correto e sem sotaque. Ela vivia a tempo o suficiente na França para falar corretamente, conseguindo, porém, colocar o sotaque britânico quando quisesse (ou seja: só e somente com Julien).
O lobo pareceu rir também.
Transformou-se diante de seus olhos. O pêlo cinzento desapareceu e deu lugar a uma cabeleira castanha curtíssima, sobrancelhas grossas e peito cabeludo. O rosto era largo, porém magro e saliente na parte mais alta das bochechas devido ao formato do crânio. A mandíbula era forte e tinha um charme masculino. O nariz era largo, mas pequeno. Os lábios eram grossos e volumosos, estando alinhados em um sorriso satisfeito com algo . Os olhos estranhamente lembravam a inglesa de um porco: pequenos, escuros, mas não muito profundos. Havia neles um certo brilho prateado que ela naum sabia dizer se eram a cor ou sua imaginação (estava contra a luz da lua e a mente dela estava anuviada demais). O corpo era forte e musculoso, com braços enormes. Jane se perguntou por que todo lobisomem desenvolvia tanto os músculos.
Ele seria um homem muito atraente e viril...
...se não fossem as marcas de garra deformando seu olho direito, nariz e canto esquerdo dos lábios.
- Realmente, você é uma mulherzinha difícil.
- Eu me esforço.
- Me disseram que você deveria ser "amaciada" antes... Pelo jeito era verdade.

Ele a olhava como um cachorro encara uma vitrine de açougue.
- Que quer de mim, lobo? - Jane perguntou ácida.
Ele riu, o sorriso nunca abandonando seus lábios.
-Respostas, mademoselle. Responda direitinho e você sai livre, bruxinha. - Ela bufou para o diminutivo. Ele continuou - Como se chama?
Foi a vez da inglesa rir.
- Anglaterre. - respondeu cantando as sílabas do nome de seu país.
O lobo não perdeu o sorriso.
- Muito bem, Anglaterre. Por que sua carne cheira tão bem, posso saber?
- Porque tudo que vem do MEU país
- e ela fez questão de grifar a palavra "meu" - é muito melhos que qualquer porcaria francesa.
Jane podia estar sedada, mas não estava louca.
Ela era uma imortal viva. Não morreria ou envelheceria em situações normais, exceto em casos de acidentes, suicídios ou assassinatos. Por ser essa imortal, seu sangue e sua carne cheiravam melhor para vampiros e lobisomens do que os humanos normais. Poucos sabiam disto, e além disso haviam as lendas toscas que diziam que devorar um imortal vivo era garantir juventude eterna (uma mentira, é claro).
Poucos sabiam e ela não iria entregar os pontos para aquele lobo ass tão fácil.
Ele perdeu o sorriso e franziu a testa, criando um quadro bizarro devido a cicatriz.
- Mademoselle Anglaterre, chega de jogos: quero saber onde seu namoradinho está se escondendo.
A inglesa riu.
- Ou?
- Ou serei brigado a fazer uma coisa que você não vai gostar nem um pouco.

E se aproximou dela de maneira ameaçadora.
Ela riu de novo.
Não era preciso ser nenhum gênio para ler nos olhos que dele que o lobisomem a violaria e devoraria quer ela respondesse, quer não.
- Se quer respostas, por que você não vai pro inferno amolar outro?
O tapa veio rápido e certeiro na face esquerda de Jane e ela sentiu um pouco de gosto de sangue na boca.
- Vou perguntar só mais uma vez, vadia: onde está o bastardo Julien Borgie?!
A britânica estava pronta para insultar tanto o lobo quanto a mãe do infeliz, que deixaria com vergonha até o mais boca suja dos marinheiros (ela sabia ser grosseira quando lhe convinha). Porém, uma voz interrompeu os pensamentos da mente cansada dela:
- Atrás de você, filho da puta.
Vindo do nada, o próprio Julien, junto com vários amigos, saltaram para dentro do galpão abandonado.
O que se seguiu foi uma cena épica de luta enrte a alcatéia de lobisomens do Sr. Deformado e o time de Julien.
Jane, entretanto, nada acompanhou.
O sedativo vinha deixando sua mente cada vez mais desligada do mundo exterior e cada vez mais sonolenta. Seus olhos pesaram e ela os fechou durante a luta.
Não adormeceu, ficando apenas em um estado de topor. Já mal ouvia os gritos de guerra, uivos, grunhidos, urros, maldições, coisas e quebrando ou qualquer outro som.
Quando deu por si, alguém a estava tirando do local onde ficaram dependurada, era desamarrada e aparada por braços fortes. Um pefume parisiense caríssimo e muito conhecido dela enchia seu olfato.
- Jane, mon amour? - Julien a chamou removendo uma mecha castanha do cabelo dela que havia caido sobre o rosto.
Ela abriu os olhos, encarou as orbes verdes dele, sorriu doce e respondeu em inglês:
- Por que demorou tanto, sapo?
Ele sorriu e suspirou aliviado.
- Fico feliz que esteja bem, ma Jane.
Tonta por causa do sedativo, ela enrolou seus braços ao redor do pescoço dele.
Prontamente, o vampiro aproximou seus lábios dos dela e delicadamente a beijou.
Era uma sensação maravilhosa sentir o rosto dele tão próximo, a boca gentilmente massageando a dela enquanto Jane apenas saboreava a textura macia dos lábios do francês e a sensação pinicante, mas deliciosa da barba dele por fazer em seu queixo.
Rapidamente (demais, na opinião dela), ele interrompeu o beijo e ela se deixou tragar para a inconsciência.
Acordou horas depois, com os dedos róseos da aurora invadindo as janelas de seu quarto e uma dor de cabeça horrenda.
Grunhiu de dor e ouviu um risinho.
- Quer remédio, mon petit chou? - perguntou Julien, sentado ao lado de sua cama.
- E você ainda pergunta!?
Ele riu de novo, ajudou-a a sentar-se e lhe entregou um copo com algo verde e asqueroso.
- O efeito é melhor que o gosto, garanto. - disse com piedade na voz.
- É bom mesmo...
A britânica não soube dizer se era gosto de lodo ou estrume.
- Argh! O que aqueles lobos fedidos queriam com você, afinal?
- Não sei. Desfrutar de minha companhia, suponho. - respondeu maroto.
- Julien... - ela retrucou com um tom de leve ameça.
Ele riu.
- Acalme-se, ma cherie. Está tudo sobre controle.
- Sei...
Ele riu e a beijou. Jane se perdeu novamente no encanto dos lábios dele.
Quando findado foi o beijo, ele disse em um suspiro triste:
- Devo ir, mom petit lapin. O sol já nasce...
Ela suspirou também.
- Tão cedo?
- É que você dormiu a noite toda, ma Jane.
- Queria não ter.
Ele sorriu e beijou a mão dela com carinho.
- Bonjour, ma belle Jane.
- Bom dia, Julien, meu amor.
Dizendo isto, ele se afastou dela e foi para o porão dormir, não sem antes a beijar mais uma vez os lábios e a testa com amor.
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Bom, essa história foi pensando em o que exatamente o Julien faz pra ganhar a vida xD (dinheiro não brota em árvores, infelizmente -q e mesmo um vampiro imortal precisa de uma graninha)
Ele é mais do tipo trambiqueiro eu acho xD sempre se metendo em negócios escusos.
Agora exatamente o que são, isso eh um mistério -q (jogos de azar principalmente e contrabando eu axo)
Agora vou dormir -___-
Au revoir, mes amis. Até um dia =3
Nota: LAY NOVO! /O/ pq eu precisava desse level up XD

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Jane e Julien

Okey, aqui vamos nós com meu primeiro post pra valer (o último foi só aquecimento xD)
Resolvi começar com um conto meu.
Bom, essa foi a primeira história que eu criei do vampiro Julien e da feiticeira Jane. Pode parecer modinha criar mais uma história de um vampiro, mas hey! eu já gostava deles antes da Stephanie-tosca-Meyer criar o "Eduardo Colher" (nada contra se você gosta, caro leitor, mas eu tenho aversão a mulher).
Esse é apenas mais uma noite na vida dos dois...
Espero que gostem.
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Jane amava a noite.
Contava os segundos ansiosamente até o sol se pôr, sentada na grande biblioteca da mansão. Acompanhava, como um gato que encara a um rato, o ponteiro dos segundos do grande relógio de corda.
Diferente das outras pessoas, que odiavam o frio que fazia em Paris aquela época do ano, ela amava o inverno. Amava, pois no frio do inverno os dias duravam menos e as noites eram quase eternas.
A inglesa olhou pela janela quando os últimos raios do deus do dia se estendiam por sobre as terras da França.
Soltou uma espécie de suspiro satisfeito, sorriu para si mesma e arrumou um pouco mais seu corpete. Ele sempre reclamava que ela usava roupas em demasia, e ela fazia questão de sempre usar mais e mais (só não estava de casaco agora pó não fazer sentido usar um casaco dentro de casa quando se tem uma lareira).
Amava irritá-lo.
O pensamento de fazê-lo tirou um sorriso felino de seus lábios.
Impaciente, caminhou até o relógio, contemplando seu reflexo no vidro dos ponteiros. Nesse momento, seus olhos castanhos captaram um olhar verde brilhante atrás de si pela imagem refletida. E antes que ela pudesse se virar, as luzes da lareira e das várias velas do cômodo se apagaram repentinamente.
Revirou os olhos, aborrecida quando foi abraçada pela cintura por trás e lábios beijaram seu pescoço.
- Bonsoir ma chérie. – disse uma voz masculina e aveludada próximo ao seu ouvido.
- Dramático como sempre. – retrucou cruzando os braços.
Ele riu e respondeu, em um inglês com um forte sotaque francês.
- Eu faço o que posso.
- Acenda a lareira! Nem todos são imunes ao frio como você!
- Oui, oui, ma lapin.
E em um segundo, uma chama vibrante pulsava novamente. Apesar disto, Jane sentia calafrios enquanto as mãos dele passeavam livremente por sua cintura e quadris.
Ainda nos braços dele, ela virou-se para encará-lo. Os olhos verdes dele flamejavam, ela sabia bem com o quê.
Desejo.
Quente como o fogo, mas suave como o vento.
Desejo.
Debilmente (já inebriada sem nenhuma resistência na sedução sobrenatural dele), Jane murmurou próximo ao rosto dele.
- Aqui não...
Ele lhe sorriu de maneira predatória.
- Faço o que bem quiser com... belles invasives.
E a beijou. A inglesa interrompeu o beijo para rir.
Invasora? Francamente! Ele tinha uma Imaginação quando o assunto eram fetiches!
- Claro, claro, francês. Vim aqui porque não tinha nada melhor para fazer do que invadir sua biblioteca para roubar... o que mesmo?
Ele revirou os olhos e suspirou divertido.
- Vocês ingleses não tem a menor classe para nada. Muito menos para brincadeiras ou invasões.
- Devo lembrá-lo do número de vezes que a Inglaterra ganhou da França?
- Mesmo assim, ainda perderam a Guerra dos 100 anos.
- Mas ganharíamos se não fosse intervenção daquela menina... qual o nome mesmo?
- Isso... – ele a beijou de novo - ...não... – outro beijo - ...vem ao caso. Você ainda é uma intrusa que agora é minha prisioneira. – o francês riu, satisfeito consigo mesmo – E adivinha o que farei com você agora?
Ele não a deixou responder.
Ou ela não o fez.
Não dava para dizer.
Lábios e línguas dançavam lascivamente para ver quem venceria aquele Waterloo particular.
Mãos brigavam contra tecidos de boa qualidade.
Teoricamente, um homem daquela época não precisaria ficar completamente nu diante da mulher diante de tal ato carnal. Ele, entretanto, sempre abria uma espécie de exceção especial. Só para ela, Jane, deixando-a arrancar-lhe as roupas assim como ele fazia com as dela.
A britânica sorriu quando o ouviu praguejar em francês contra o corpete e o arrancar com um puxão violento.
A essa altura, já estavam os dois rolando pelo tapete, entre vário beijos ardentes como o fogo da lareira.
Em um dado momento, ele parou, o corpo dele sobre o dela, uma mão o sustentando para encará-la, a outra passeando languidamente pelo corpo dela. Olhou no fundo dos olhos castanhos da moça, sorrindo de uma forma marota.
- Posso saber o nome de ma belles invasives antes de puni-la?
Um sorriso sarcástico e malicioso tomou os lábios de Jane, e ela lhe respondeu em uma espécie de nostalgia:
- Inglaterra.
Ele gargalhou e ela achou que nunca vira sorriso mais belo quanto aquele do riso dele. Após parar de rir, a encarou com o mesmo sorriso sarcástico dela.
- Ótimo! Serei França então!
E a beijou.
Claro que ambos sabiam quem o outro era. Porém a brincadeira (que remetia a primeira vez que se viram, quando a hostilidade lhes era como uma estranha sedução) combinava com a atual brincadeira. Então por que não?
Amaram-se ali mesmo, no chão da biblioteca, um chamando pelo país do outro.
Consumado o ato, Jane repousou o corpo ao lado do dele, cabeça no peito peludo, ouvindo o coração que batia acelerado demais para qualquer humano normal, mas não para ele.
Sentia a mão masculina brincando com seus cabelos e sorriu.
- Francês obsceno. – disse com malícia enquanto o encarava nos olhos verdes.
Ele sorriu também.
- Que culpa tenho, mon amour, se acordei morrendo de fome?
- Não sabia que morava com um incubus.
Ele lhe sorriu de modo maligno.
- Quer que eu prove minha... – ele riu - ... “vampirinidade” pra você?
Jane franziu a testa.
- Não.
Ele riu de novo e a risada retumbou no peito, fazendo com que ela sentisse as vibrações e também sentisse vontade de rir.
À luz do fogo, a inglesa voltou a encarar o vampiro, que a encarava, o olhar embebido por algo que a fez se arrepiar e corar. A voz máscula apenas sussurrou as seguintes palavras, mas para ela foi o suficiente.
- Je t'aime, Jane.
Ela beijou os lábios dele com delicadeza e respondeu no próprio idioma.
- Eu também te amo, Julien.
Julien sorriu mais uma vez e a beijou novamente antes de dizer:
- 500.
Ela piscou abobada.
- Perdão?
O vampiro revirou os olhos, divertido.
- 500 noites até sua imortalidade.
“Ah! Isso!” ela pensou.
Desde o nascimento, Jane fora marcada para ser uma bruxa eterna.
Uma imortal viva.
Acontece que todos os seres imortais para se tornarem imortais tinham que se sujeitar a morte para alcançar a imortalidade. Exceto certos bruxos e bruxas que ninguém sabia ao certo como ganhavam essa habilidade.
Jane era uma dessas Bruxas.
- Você está contando?
- Você não?
- Achei que fosse perder a paciência e me tornar vampira antes.
- Até pensei nisso, Jane, mas gosto mais de você viva. – ela o encarou, incrédula, até que ele acrescentou – Vampiras são frígidas demais pro meu gosto.
Foi a vez dela revirar os olhos.
- Depravado.
- Merci.
Ela revirou os olhos de novo e voltou a pousar a cabeça no peito dele, encarando o fogo.
- Vamos ao teatro, ma lapin?
- Nesse frio?
- Oui, certainement.
- Vampiro insano...
- Merci, mon amour. Suas palavras de afeto são inspiradoras.
Jane riu.
- Ora vamos, ma chérie! Você provavelmente ficou enfurnada aqui o dia todo! A noite é uma criança e nós VAMOS sair.
Ela riu de novo.
Julien tinha razão: a Noite era uma criança...
E Jane AMAVA as noites ao lado de Julien.
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Bom, foi isso pessoal xD
O primeiro conto do casal.
Nota: Julien usou muito francês, eu sei. Mas não acho que haja nada que vocês não descubram o que é. Lapin é "coelho" btw (eu demorei pra descobrir) xD